"A civilização criou a suprema fúria das precocidades e dos apetites. Não há mais crianças. Há homens. As meninas, que aliás sempre se fizeram mais depressa mulheres que os meninos homens, seguem a vertigem. E o mal das civilizações, com o vício, o cansaço, o esgotamento, dá como resultado crianças pervertidas. Pervertidas em todas as classes; nos pobres por miséria e fome; nos burgueses por ambição de luxo; nos ricos por vício e degeneração."
(João do Rio - em "Uma Antologia" - pasmem: 1911).
"O desejo de lucro tornou-se um ideal da conduta cristã. O calvinismo, por exemplo, afirmava que tal desejo era inerente à natureza humana. Na verdade, todos nós sabemos que, com o 'capitalismo', o desejo foi transformado em natureza humana. A poupança e o investimento, desconhecidos na sociedade feudal, se tornaram um dever na sociedade capitalista... para a glória de deus!"
(Carlos Eduardo Novaes e Vilmar Rodrigues - no 'genial': "Capitalismo para principiantes").
"A arte moderna, que surgiu com escândalo, em ruptura com o público, está por toda a parte. (...) Hoje, não vemos nem estetização da política nem politização da arte; o que vemos é uma circulação indiferente da arte, como um dos bens de consumo da sociedade capitalista."
(Leyla Perrone-Moisés - em "Altas Literaturas").
"Que são os homens todos, nessa visa sempre vária e sempre imutável, senão formas diversas de uma mesma essência? Nós somos os espectros de outros homens: aquele velho que ali vem, coberto de cabelos brancos, vai, na escala das agonias e das esperanças, ser continuado e prolongado por aquele menino que passa por ele sem o ver, sem suspeitar que acaba de acotovelar a sua própria personalidade futura..."
(Olavo Bilac - em "Ironia e Piedade").
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